quarta-feira, 20 de setembro de 2017

Arquitetando em Búzios - volumetria e telhado de cerâmica marcam estilo local que atravessa gerações

Um breve sobrevoo pela península da Armação dos Búzios revela, além das belezas naturais, a sua principal caraterística arquitetônica – uma cidade baixa.  Isso se deve à volumetria das edificações em dois gabaritos e seus clássicos telhados em cerâmica. 

Todas as construções devem respeitar o limite máximo de dois pavimentos, sendo a taxa de ocupação da sobreposição (segundo pavimento) parcial,  evitando os chamados "caixotes".  Além de horizontalizar da cidade, o charme se intensifica com a preservação das coberturas em telha cerâmica, remanescentes da então colônia dos pescadores, que conservam o "estilo Búzios", proporcionando maior harmonia no balneário.

O estilo colonial do telhado defendido com afinco, inicialmente, pelo arquiteto Octavio Raja Gabaglia, foi logo incorporado também por Arthur Carlos Costa, Chico Sales, Paulo Guilherme e Ricardo Guterres, entre outros. Ganhou corpo ao ser adotado pela geração seguinte de Alejandra Garzuze, Alice Passeri, Antonio Amaral, Roberto Aracri, Sandra Gnattali, que bateram o martelo e passaram essa expertise para a geração muito atuante hoje de Ana Luiza Gnattali, Andrea Bungarten; Daniel Lobato Costa, Gisele Ribeiro, Guido Campanate, Paula Medina, Pedro Campolina, Sylvia Schlemm... Essa bandeira defendida por Zanine, que emociona a cidade, será adotada pela nova “fornada" de jovens arquitetos - Isabela Amaral, Catalina Garzuze, Gabriel Acacri e João Teixeira -, filhos da cidade, que assegurarão a continuidade da boa arquitetura buziana, mantendo a forma e, possivelmente, utilizando recursos mais ecológicos. Essa geração transportará o conceito aplicado em Búzios para além das fronteiras da cidade.

Essa trajetória e outras curiosidades poderão ser conferidas através de fotos, vídeos, ambientes, quadros, instalações, objetos de design, maquetes, técnicas construtivas.... exibidas na exposição Arquitetando em Búzios, até o dia 20 de agosto, no Espaço Zanine, que traz a essência desse total de 706 anos experiência, dos 25 expoentes da arquitetura local.  Outras características marcantes do estilo de quem vem “arquitetando em búzios” são a exploração da beleza e iluminação naturais.

Lá mostramos a casa sustentável (com biodigestor) da Gisele Ribeiro, a restauração pelo arquiteto Arthur Carlos Costa, da Caza do Sino, uma central e distribuição de sal, hoje patrimônio histórico tombado; o paisagismo de Paulo Pinto, as construções de eucalipto e bambu de Antonio Amaral; arquitetura intuitiva de Guido Campanate; as sofisticadas construções residenciais de Roberto Aracri; a profunda pesquisa da Gnattali arquitetura, dedicada ao Hotel Vila da Santa, nos Ossos, que reproduz uma vila mediterrânea; o ambiente decorado pelas arquitetas Schlemm&Bungarten; a instalação de cubos e vertentes da arquitetura de Laura Vivacqua; os conceitos contemporâneos de reciclagem por Alejandra Garzuze; os elementos naturais da arquitetura contemporânea de Paula Medina; projetos de relevância de Chico Sales; os projetos de arquitetura paisagística de Campolina; os projetos residenciais e comerciais que aliam conforto à praticidade, por Daniel Lobato Costa; a implantação primorosa das casas de Octávio Raja Gabaglia, a arquitetura de interiores, móveis desenhados, espaços comerciais além de residências de Paola Acatauassú, os traços simples e marcantes de Leonardo Maffia; o conceitos de espaço, luz e natureza de Ricardo Guterres; as intervenções provocativas das pinturas de Morgana Souto Maior; as pinturas de Hernan Katz; os espaços minimalistas e otimizados, quase como arquitetura naval de Paulo Guilherme; a pousada ecológica Janelas para o Mar de Helena Oestreich e muito mais.

Escola de Artes Zanine – Ao lado do prédio da Prefeitura de Búzios está localizado o último projeto de arquitetura realizado pelo artista baiano, José Zanine Caldas, mestre em madeiras. Inaugurado em julho de 2016, o espaço vem abrigando exposições permanentes de artistas buzianos e convidados, além da realização de oficinas regulares de arte.

Arquitetando em Búzios: Escola de Artes Zanine. Visitação de 22 de julho a 20 de agosto, de segunda à sexta-feira, das 9 às 18 horas, e aos sábados, domingos e feriados, das 16h às 18h horas. Outras informações sobre a produção do evento, falar com Luciana Fajardo & Flory Menezes (22) 99874-3602. Grátis.

Arquitetando em Búzios: Escola de Artes Zanine. Estrada da Usina s/n. Abertura para imprensa e convidados em 21 de Julho, das às 18h às 22h30. Visitação de 22 de julho a 20 de agosto, de segunda à sexta-feira, das 9 às 18 horas, e aos sábados, domingos e feriados, das 16h às 18h horas. Outras informações sobre a produção do evento, falar com Luciana Fajardo & Flory Menezes (22) 99874-3602. Grátis. Classificação livre. Estrada da Usina, s/n, ao lado da Prefeitura. Estacionamento ao lado. 

Assessoria de imprensa:
Fatutti Comunicação - Luciana de Azambuja (21)99966-8902 - nacional
Premissa Assessoria - Maria Werneck (22) 99201-0567 – regional

Cenas - um diálogo com a vida

Cenas, um diálogo com a vida, mais do que um livro convencional, propõe uma experiência de humanidade auxiliada pela Medicina Narrativa. Lá estão narrados registros de memórias dos momentos cotidianos de uma médica paliativista em seu convívio diário, durante 15 anos, com doentes em luta contra o câncer. Nele, Dra. Lorraine Veran revela, de forma poética, a proximidade com a morte; a emoção e o acolhimento. Essas memórias serão resgatadas com o lançamento do livro, no próximo dia 27 de Setembro, quarta-feira, às 18h na Casa da Medicina, na PUC-Rio.

Cenas... fala da vida real em formato literário, com momentos povoados por expectativas, anseios, medos, desejos. Do malabarismo das emoções e o dia a dia desses 65 pacientes que redescobrem a vida de outra forma – através da dor – falam, principalmente, da difícil arte de viver e aceitar a morte, da luta pela vida e pela dignidade e serenidade.

A autora Lorraine Veran confessa que a proximidade com a literatura se juntou ao desejo de perpetuar as histórias que ouve e de que participa no dia a dia do oficio. “A nobreza do ato médico revelado dentro da humanidade que buscamos”, ressalta. “A literatura e a medicina são culturas compartilhadas (Dr. Moacyr Scliar). 

A origem da sua escolha profissional é precoce, ocorreu durante a infância. “A minha inspiração surgiu quando, ainda criança, tive que lidar com o sofrimento de minha avó materna, vítima de uma doença sem cura,” lembra a medica que define a medicina como a arte de mitigar o sofrimento, dentro de uma dimensão total do ser humano. Este foi meu ponto de encontro com a ciência”. Como disse Pablo Picasso: “Eu não procuro, eu encontro”.

Cenas é dirigido ao grande público: um livro de contos romanceados, baseados na prática da medicina narrativa, que trazem histórias de pacientes com câncer. Ali, alegria, humor e o lado lúdico estão presentes. Este gênero literário vem tendo grande difusão nos EUA e Europa desde os anos 1970, ajudando a todos, inclusive os profissionais de saúde, a compreender e lidar com questões relevantes à sociedade contemporânea. 

Referência da Medicina Narrativa, a professora Rita Charon, da Universidade de Columbia, em Nova York, impulsionou o movimento literário que faz uso das histórias médicas como ferramenta terapêutica de grande eficiência. Em seu mais famoso livro, Honoring the Stories of Illness, lançado em 2006, ela reforça a grande proximidade entre a literatura e a medicina, e foca na espetacular transformação da prática médica através das narrativas dos pacientes. 

Malmente, Cenas... não tem caráter científico ou, pelo extremo oposto, não é auto ajuda. O objetivo principal deste projeto é apresentar, em forma de contos, histórias de pacientes com câncer, desmistificando a doença e mostrando o lado humano e bonito da relação médico-paciente. O médico, afinal, sendo um elo entre a tecnologia desenfreada e as emoções humanas. 

Dra. Lorraine Veran, se formou em Medicina pela Escola de Medicina Souza Marques, em 1992. Fez residência médica em Clínica Médica e Endocrinologia, e é especialista em Terapia Intensiva (TE AMIB). Pós-graduada em Cuidados Paliativos no Instituto Paliar, em São Paulo, atua há 15 anos como médica hospitalista na área de oncologia. Escritora de poesia lírica, adota a Medicina Narrativa como ferramenta de humanizaçãp na sua relação com os pacientes.

CENAS - um diálogo com a vida: Dra. Lorraine Veran. Lançamento dia 27 de Setembro, 4a feira, às 18h, na Casa da Medicina/PUC-Rio, Estrada da Gávea, 36. Estacionamento. R$50,00. Editora Vertente. ISBN 978-85-8208-101-3.


Contato Imprensa: Luciana de Azambuja / (21) 99966.8902 / fatutticom@gmail.com

sexta-feira, 5 de maio de 2017

Canal de filmes online leva filmes para a sala de cinema pelo quarto ano consecutivo

Pelo quarto ano consecutivo, a produção audiovisual independente brasileira sai da web e ganha as telonas! O IV Festival O CUBO de Cinema apresenta a seleção 2017 de filmes brasileiros do Canal O CUBO (canalocubo.com): plataforma online que distribui curtas, longas e séries de diferentes regiões do país licenciados via Creative Commons (licença pública internacional que permite aos autores, cineastas e produtores, definir os usos de suas obras à coletividade na rede). 

O festival apresenta uma programação inédita de 27 filmes, curtas e longas em ficção, documentário e video-arte; selecionados pelo curador Fabiano Cafure através de chamada pública nacional no início de 2017. As obras selecionadas trazem nomes conhecidos de outros segmentos como Dani Suzuki (curta "Pulso") e Lucas Vasconcellos (curta "O Jogo da Velha"), bem como novos nomes da produção web como Jonathan Mendonça (série "Romeu & Romeu"/SP) e Rafael Aguiar (curta "DOIS"/MG), dentre outros.

Nesta edição, algumas novidades: a categoria 'SÉRIE' que apresenta 04 séries em sala de cinema, com destaque para a série de ficção "Todo tempo do mundo" primeiro projeto ondemand digital do canal lançado em abril último e que terá seus resultados de venda e aceitação do público apresentados durante sua exibição no festival.

“A opção de iniciar o sistema VoD digital (vídeo on demand) com a série “Todo tempo do mundo” vem da possibilidade real do próprio público investir nas produções originais do canal. Além disso, escolhemos um produto que é reflexo dos filmes com o maior número de acessos do canal. Atualmente, os conteúdos do canal com temática voltada ao universo LGBT (13%) corresponde a mais de 70% das visualizações no canal; com isso fica muito mais fácil fazer um desenho de mercado quando se tem acesso à rede de informações, gosto e dados dos clientes", diz Thiago Fraga, produtor executivo do canal e do festival.

A representatividade de grupos sociais minoritários vira tema de debate no festival, que no domingo 14/MAIO promove a troca entre o júri convidado, composto por Bárbara Copque (antropóloga), Carla Luã Eloi (produtora cultural), Guilherme Scapa (jornalista e dramaturgo) e Manoel Silvestre Friques (professor UniRio - Eng.Produção com ênfase em Cultura). Para mediar o encontro, Sergio Branco, mentor do O Cubo e diretor do ITS-Rio (Instituto de Tecnologia e Sociedade). 

Fortalecendo essa discussão, o canal Afroflix, que reúne filmes que tenham ao menos uma pessoa negra em papéis relevantes da produção, é convidado especial do festival na edição. Sob curadoria da cineasta Yasmin Thayná, o Afroflix terá uma sessão exclusiva na programação do festival na quinta, 11 de maio, a partir das 18h, com destaque para a sessão que exibirá curtas de Adelia Sampaio, diretora que marcou a história do cinema nacional: foi a primeira negra a dirigir um longa metragem no Brasil - "Amor Maldito", lançado em 1984. A sessão contará com a presença da realizadora para um bate papo.

O festival abrirá a programação em ambiente online no seu canal no Youtube durante os 05 dias de festival para votação popular mas espera a todos os realizadores em sala de cinema. A entrada é franca!

Quando? de 10 a 14 de maio
Aonde? Centro Cultural Justiça Federal
Av. Rio Branco, 241 - Centro / Rio de Janeiro / RJ

Programação completa: 
canalocubo.com e nas redes sociais /canalocubo

Ficha técnica

Produção Executiva: Thiago Fraga
Curadoria: Fabiano Cafure
Estratégia de Comunicação e Design: Larissa Seibel
Júri Oficial: Barbara Copque, Carla Luã Eloi, Guilherme Scapa e Manoel Silvestre Friques e Yasmin Thayná
Mentor: Sergio Branco (ITS-Rio)
Realização: Instituto Kreatori

quinta-feira, 13 de outubro de 2016

Yes, nós temos burlesco!

O país atravessa uma grave crise moral onde valores básicos, como o de ir e vir por exemplo, são diariamente
colocados em cheque. Diante de tanta arbitrariedade, violência e desesperança, um grupo formado por 20 artistas nacionais e internacionais sobe ao palco do Teatro Rival, do Cine Joia e do Cabaré Kalesa, no Rio de Janeiro, entre os dias 11 e 14 de maio, para expressar com extrema graça, sensualidade e irreverência, lançando mão de suas armas transgressoras – plumas, glitter, reboladas -, seu repúdio à passividade que se alastra. Convidamos então os interessados que compartilham desse sentimento a se enfeitar com vontade para participar da 3a Edição do Festival "Yes, nós temos burlesco!”- o grande encontro de burlesco do Brasil.                                                                                 

Idealizado pelas esfuziantes Delirious Fenix (foto)e Miss G, com o intuito de disseminar a cultura do burlesco no país, o evento que nesse ano vem inspirado na Tropicália, de Helio Oiticica, (que completa 50 anos, em 2017), promete se espalhar pela cidade com muito brilho, reboladas e provocação, nas transgressoras performances de artistas nacionais e internacionais convidados. "Resolvemos homenagear a Tropicália, não só o movimento musical, como a própria obra do Oiticica. É uma forma de mostrar a cara do burlesco brasileiro e de como somos antropofágicos”, dizem as organizadoras. 

O BURLESCO é um lugar onde você tem espaço para se expressar na máxima potência, e encontrar o que queremos dizer ao mundo como mulheres empoderadas! explica Delirious Fenix.

Durante quatro dias o Festival, ocupará o Cine Joia, o Teatro Rival e o Espaço de Dança Gisele Alvim, e realizará evoluções pelas ruas da Cinelândia, em frente ao Rivalzinho.

O Festival chega à terceira edição, já influenciando o cenário cultural carioca. Uma amostra disso são os documentários curta-metragem de Fabiano Cafure (diretor do Canal O Cubo) sobre as duas primeiras edições (em 2015 e 2016, respectivamente). Seu curta YNTB 2 será lançado um dia antes da abertura do Festival, no dia 10 de maio, no Centro Cultural da Justiça Federal.

A abertura oficial do Festival, dia 11 de maio, no Cine Joia,  é de tapete vermelho, e caracteriza uma das novidades dessa terceira edição. Na ocasião, haverá o pré-lançamento do documentário média metragem Burla, ou como fazer um corte barato? de Miss G. Nele, a artista retrata a residência artística realizada em Nova York, e o processo de criação do espetáculo Carne de Segunda - Burlesque Meat Show, em 2015.  O filme é a finalização do projeto de Miss G, que contou com apoio do Prêmio Rumos Itaú Cultural entre 2014/16. “É um privilégio trabalhar com as grandes estrelas do burlesco - Julie Atlas Muz e Dirty Martini- , que me receberam em NYC e vieram para o Brasil realizar a peça. Mas o filme vai além disso: ele retrata como são as pessoas reais, os dilemas da vida, as relações humanas e tudo o que envolve você estar num outro país… Tem essas dificuldades envolvidas. Quis mostrar o além do glamour e dos figurinos, e por isso considero um filme interessante pra qualquer pessoa, e não somente fãs de burlesco”, revela a diretora. 

A exibição do filme será precedida do Cabaré Novas Divas do Burlesco, que apresentará ao Brasil suas jovens artistas que foram selecionadas para fazer da noite de abertura uma verdadeira celebração. Vamos reunir gerações diferentes da arte burlesca, com a presença de todo o elenco nacional e internacional na plateia.

No segundo dia de programação, também no Cine Joia, o público participará do making of da criação do numero de burlesco. O tradicionalíssimo coletivo The Burlesque Take Over, trará o show Devorando Carmem. Nessa obra, eles demonstram como construir um número de um ícone e não ser uma simples cópia, colocando algo de sua personalidade. Mergulhados na verve da Tropicália, que é a Antropofagia, eles passeiam entre vertentes do burlesco clássico, neo boylesque e fetiche. O coletivo pretende destrinchar suas três Carmens ao público, que terá a oportunidade de entender a possível mecânica em que  Sweetie Bird (foto), Black Rainbow e Sete de Ouros criam suas singulares e carismáticas performances.

E mais duas grandes atrações internacionais Tigger (NYC) e Indigo Blue (Seattle) se apresentam e contam suas experiências. Ele, Rei do boylesque e um dos precursores do movimento new Burlesque em NYC (1990), fala de sua vida e de arte. Já a antropóloga Indigo, revela sobre suas impressões ao Manifesto Antropofágico (Oswald de Andrade), um marco do movimento modernista brasileiro, além de uma das principais referencias da celebrada Tropicália.

Já no sábado, 13, será dia de reverenciar a tradição, mas já com olhar no futuro. A grande noite será no Teatro Rival, espaço dedicado por anos ao teatro de revista e rebolado. Hoje, por iniciativa da atriz Leandra Leal (patrona do festival), volta a ser um marco na história contemporânea de gêneros cênicos mais underground, como a arte drag e cabaré, e agora, o burlesco.  As organizadoras prometem uma noite glamourosa, recheada de atrações nacionais e internacionais, que atualizam o espírito da tropicália e da antropofagia. Além dos convidados Indigo Blue e Tigger o festival conta com um elenco variado, formado por burlescas, boylesques e draglesques do Rio, Curitiba, São Paulo, Santiago do Chile, Rosario, Las Vegas. “Somos brasileiras, e nossa cultura é antropofágica. 

Existe uma história do burlesco que é nossa. Queremos torná-la visível e incentivar que mais pessoas entrem para nossa comunidade! Esse é o espírito do burlesco, de união, que é para resistir à caretice dos nossos tempos e seguir inventando possibilidades de existir”, desabafa Miss G. Achamos necessário homenagear nossas pioneiras também, por isso dedicaremos essa noite à grande diva Rogéria e à vedete Jane di Castro, além da Leandra Leal, que é grande incentivadora da cena underground” diz Delirious Fenix. Como se não bastasse, o ator Luis Lobianco (Porta dos Fundos e Buraco da Lacraia) será o mestre de cerimônias da noite. Após o término dos shows, a noite segue com uma grande festa no Cabaré Kalesa, na Praça Mauá.

O Festival está sendo todo viabilizado por meio de uma economia colaborativa, contando com apoios e voluntariado. Há uma campanha de crowdfunding - https://www.kickante.com.br/campanhas/yes-nos-temos-burlesco-2017 - que visa cobrir os custos, e que está na reta final. Os apoiadores da campanha tem a oportunidade de receber recompensas e interagir mais com os artistas participantes.

Geometria do Lugar

Concebida a partir do diálogo de uma edificação - um galpão industrial antigo - e seus desdobramentos interpretativos com as relações de lugar e memória, a exposição Geometria do Lugar, apresenta cerca de 40 trabalhos do artista visual Petrillo, abrangendo diversas técnicas: desenhos, pinturas, fotografias e esculturas, na Almacén Thebaldi Galeria, no Casa Shopping, a partir do dia 20 de outubro.

Nessa mostra, com curadoria de Osvaldo Carvalho, o artista explora o esqueleto do telhado, o traçado arquitetônico, a partir do jogo de luz e sombra, em sua pesquisa de espacialidade de lugares. O traço presente em suas obras busca uma investigação poética, na recriação de lugares ou espaços que podem ou não existir.

Tal pretexto investigativo, pauta-se na fragmentação como um jogo de adivinhação. O simbolismo de fragmentar o telhado, assim como outras estruturas arquitetônicas deste lugar, resultam na abstração. As capturas fotográficas do celular revelam o desenho da trama de linhas projetadas no ambiente, como uma nova linguagem ainda não explorada pelo artista.

O conjunto dos trabalhos apresentados possibilitaram o exercício de análise do local, resultando na linguagem poética do redesenhar do espaço, do redesenho da Geometria do Lugar. Lugares estes que coexistem em nova formatação espacial, resultando de seu redesenho, do seu próprio traçado.

José Augusto Petrillo, formado em artes pela Universidade Federal de Juiz de Fora - UFJF, e pós graduado em Design, é professor de desenho e plástica no curso de arquitetura do Centro de Ensino superior - CES/JF. Em 2002, o artista visual, fundou a renomada galeria Hiato, em Juiz de Fora. Participou de salões de arte, cursos, oficinas e exposições individuais e coletivas, no Museu Nacional de Belas Arte (2003), no Centro Cultural Correios (2004), no Centro Cultural da Justiça Federal (2007), além de individuais e coletivas nacionais e internacionais. Foi premiado na I Mostra internacional de Arte Brasileña - Salon Chileno em la Universidade de Taparacá em Arica (Chile).


Geometria do Lugar - Petrillo: Abertura dia 20 de outubro, às 18h. De 21/10 a 6/11, de seg a sáb., das 10h às 22h, dom. e feriados, das 15h às 21h. Galeria Almacém, Av. Ayrton Senna, 2150, bloco G - lojas F e M. - CasaShopping - Rio de Janeiro | RJ. Tel.: (21) 3325-3322 | 3325-8622 | diretoria@almacengaeria.com http://almacengaleria.com

terça-feira, 13 de setembro de 2016

Queimados a ferro na Máquina do mundo

No próximo dia 24 de setembro abre as portas no Cosme Velho, o novo espaço de arte da cidade - o Z42 Arte. Nesse ambiente que transborda cultura, abriga sete ateliês, uma importante coleção, uma editora de arte, reside o atelier da artista plástica Maria Lucia Fontainha.

A mostra inaugurativa A máquina do mundo (poema de Carlos Drummond de Andrade), sob curadoria de Sergio Mauricio Manon e Clara Reis, segue a linha editorial da revista SANTART, com um projeto coletivo que mescla trabalhos de artistas emergentes com outros já consagrados. 

A artista plástica residente da Z42, que está lançando a fase Ferro e fogo se inspirou em trechos do poema para conceber a série sudário profano, com seis trabalhos que carregam um protesto poético de esperança e dor. “Nele, represento a dor através da impressão dos queimados, elevando o objeto profano ao status de instrumento de arte, do que ele imprime. Esses sudários femininos, que no seu simbolismo continuam impressos, com suas injustiças e desrespeitos profanos, desde sua ancestralidade, a violência contra a mulher é "defendida" verbalmente mas constantemente executada fisicamente”, explica.

Já na mostra universos paralelos, proporciona um mergulho mais profundo nessa fase Ferro e fogo, dentro do seu atelier. Lá ela expande ao alcance para todas as mulheres, transita por seu universo feminino, nas cinco obras da série epiderme impressa, que retratam o quente, o ferro, como simbolismo que tem em si o atavismo da história da mulher - suas dores, seu cuidado com os seus, os "vincos" que são passados e acertados, de seus filhos, de sua cria, de seus homens. Ainda escancara o significado das dores caladas, escondidas, que queimam por dentro, do arder e queimação do prazer, da força, da superação e do ir em frente, apesar das marcas.

A instalação sensorial Eucaristia, leva Maria Lucia a envolver o coração com tecido queimado, forrado com pães, para representar os prazeres e as dores de ser mulher. E, para melhor incorporação de seus sentimentos e suas virtudes a obra permite a interação do espectador, ao comer o pão, num ato antropofágico.

Maria Lucia Fontainha: A Máquina do Mundo e Universos Paralelos. Abertura para convidados: 24 de setembro, das 17h às 23h. De 25/9 a 18/12. De ter à sex das 11h às 19h. Sáb e dom de 12h às 18h. Rua Filinto de Almeida, 42, Cosme Velho. Tel. (21) 3269.3216.  www.z42arte.com.br. Entrada franca. Tel. artista: 98830.9301 lufontainha@yahoo.com.br @marialuciafontainha   facebook.com/marialucia.fontainha

Contato à imprensa: Luciana de Azambuja / Fatutti Comunicação / (21) 99966.8902